E se o turismo acabasse? O debate que agitou o setor na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra
O que aconteceria se, de um dia para o outro, a atividade que move economias, cruza culturas e transforma cidades simplesmente deixasse de existir? Foi sob esta provocação audaz — “E se o turismo acabasse?” — que profissionais, autarcas e lĂderes do setor se reuniram ontem, na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra para debater o futuro, os desafios e a resiliĂŞncia do turismo na regiĂŁo Centro.
A sessĂŁo de abertura contou com vozes de peso, unindo a visĂŁo formativa de JosĂ© LuĂs Marques (Diretor da EHTC), a análise estratĂ©gica de AntĂłnio Jorge Costa (Presidente do IPDT) e a perspetiva de desenvolvimento regional de JosĂ© Ribau Esteves (Presidente da CCDR-Centro), sublinhando a importância de Coimbra como palco ideal para pensar o turismo de amanhĂŁ. O Secretário de Estado do Turismo, ComĂ©rcio e Serviços, Pedro Machado, tambĂ©m marcou o horizonte do encontro.
O Contexto: Uma Provocação Necessária
A tarde arrancou com a intervenção de Daniel Costa, Diretor de Projetos do IPDT. Longe de ser um cenário apocalĂptico, a pergunta "E se o turismo acabasse?" serviu de ponto de partida para analisar o contexto atual, os riscos da massificação, a sustentabilidade e a urgĂŞncia de criar propostas de valor que protejam a identidade local enquanto atraem visitantes.
O Centro de Portugal em Análise
No painel principal, moderado com foco na realidade regional, discutiu-se o impacto direto deste cenário no "coração" do paĂs. Miguel Antunes (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra) e Rui Ventura (Presidente da Turismo do Centro) destacaram a força e o potencial de crescimento da regiĂŁo, que tem sabido descentralizar a oferta.
A conversa ganhou ainda mais riqueza com os contributos do setor privado e cultural: Salvador Gouveia (Museu do Caramulo) trouxe a relevância do turismo de nicho e patrimonial; Jorge Costa (Visabeira) olhou para a hotelaria e serviços à escala regional; e Manuel Queirós (Quinta Nova) partilhou a importância do enoturismo e da ligação à terra.
O evento terminou com um espaço aberto a perguntas, seguido de um Porto de Honra e um momento de networking, onde ideias foram trocadas e novas parcerias começaram a desenhar-se. Uma coisa ficou clara: o turismo no Centro de Portugal nĂŁo vai acabar, mas está a transformar-se — e Coimbra continua na linha da frente desta evolução.

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